QUINTA DAS PEDRAS ALVAS

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       O terreno no qual pretendemos intervir tem uma área de 35000m2 onde existe uma construção descrita como “arrecadação com um piso destinada a arrumos das alfaias agrícolas”. 

      A nossa área de intervenção enquadra-se na estrutura ecológica fundamental, que “compreende as áreas que asseguram a biodiversidade e o funcionamento da paisagem, constituindo o suporte de sistemas ecológicos fundamentais de elevado interesse nacional, bem como recursos naturais que, pelo seu inquestionável valor, devem ser salvaguardados de usos passiveis de conduzir à sua destruição e degradação de modo irreversível”. Desta forma, justificamos a nossa reabilitação como ação de salvaguarda do património vernacular pré-existente que faz parte do Alto Douro Vinhateiro.

       Mantemos as características e materiais tradicionais típicos do “cardanho”, tais como as paredes exteriores em alvenaria de pedra natural em xisto, o telhado cerâmico e os barrotes de madeira de suporte da cobertura inclinada. A nossa proposta visa reabilitar e manter o enquadramento dos “cardanhos” no Alto Douro e a estética da sua paisagem, não afetando a área envolvente sob o ponto de vista paisagístico, ambiental e funcional.

      A nossa proposta de reabilitação de “cardanho” de apoio agrícola para conversão em fim habitacional tem por objetivo ser uma moradia unifamiliar e apenas para residência própria e permanente dos proprietários-agricultores.

  

     Deparamo-nos com uma pré-existência de apoio agrícola que conjuga dois volumes contíguos e interligados, um em alvenaria em pedra natural de xisto, com cobertura inclinada de uma água em telha cerâmica, e um segundo volume de dimensões mais reduzidas, completamente construído em blocos de cimento e com cobertura plana no mesmo material. A proposta que pretendemos materializar engloba os dois volumes também de forma distinta.

        Para primeiro volume, em xisto, propomos a limpeza e manutenção dos seus paramentos a nível interior e exterior, realizando a manutenção deste material tradicional que tão bem o caracteriza. A cobertura em telha cerâmica será reestruturada e substituída por uma nova, em telha canudo à cor natural. Também a estrutura tradicional da cobertura, em barrotes de madeira, será recuperada o tanto quanto possível.

       A nível de fachada, propomos a abertura de dois vãos (apresentados em peças desenhadas), para que o interior da habitação possa receber mais iluminação e ventilação natural e que seja possível ter uma maior relação visual com a paisagem duriense.

       No interior, pretendemos construir uma cozinha e uma sala em “open-space”, com o intuito de não criar divisórias num espaço que por si já é de área reduzida. Tirando partido do vão do telhado propomos, em cima da cozinha, criar uma “mezanine” para arrumação.

        Para o segundo volume, em cimento, propomos a sua total reconstrução em alvenaria de betão à vista, com isolamento pelo interior da fachada. Dada a reduzida cércea deste volume (2 m), pretendemos subir o mesmo para uma altura habitável (2,80 m). Consideramos abrir um novo vão, para que o espaço interno possa ser habitável e ter acesso a iluminação e ventilação natural, transformando um espaço destinado a arrumos num quarto. Neste volume projetamos também uma instalação sanitária comum a toda a habitação, equipada com lavatório, chuveiro e sanita.

          A cobertura deste volume deverá manter-se plana, tal como a pré-existente, com as condições necessárias para se tornar numa cobertura ajardinada, albergando a vegetação espontânea típica da região, como sendo a esteva e o alecrim. Desta forma este volume fica encastrado no desnível do terreno, sendo impercetível pela vista do lado da estrada de acesso.